Focus projeta dois cortes de juros até dezembro
Inflação em queda abre espaço para flexibilização, mas cenário fiscal e externo limitam ritmo da política monetária.
9/15/20262 min ler
Nesta semana, entre os dias 4 e 5 de agosto, respectivamente terça e quarta, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para decidir sobre a taxa Selic. O encontro é considerado crucial porque o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (3), trouxe uma mudança relevante nas expectativas: pela primeira vez, a mediana das projeções passou a incorporar dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026.
A taxa, que vinha estimada em 14% para dezembro, recuou para 13,75%, com a primeira redução esperada já nesta quarta-feira 5) e uma pausa nas reuniões seguintes.
A queda da projeção do IPCA de 5,12% para 5,03% e a previsão de deflação de 0,17% em agosto ampliam o espaço para o início da flexibilização. Ainda assim, a inflação projetada acima do teto da meta impede uma sequência automática de cortes. O déficit primário estimado em 0,50% do PIB e a dívida líquida projetada em 69,90% do PIB seguem como fatores de pressão sobre os juros de longo prazo.
Como o mercado analisa o tema
“A mediana do Boletim Focus reforça a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic nesta quarta-feira, para 14,00%. Para o fim de 2026 a mediana indica uma Selic a 13.75%. A melhora da inflação sustenta esse movimento: o IPCA projetado para 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, e a estimativa para julho recuou para 0,08%, com uma melhor composição dos itens. Ainda assim, a inflação esperada para 2026 segue acima do teto da meta, enquanto a projeção para 2027 permanece em 4,22%, o que, com a retomada do conflito no Oriente Médio exige uma maior atenção da autoridade monetária. O cenário fiscal e as incertezas externas também limitam a velocidade do ciclo, o que torna ele ainda mais pontual do que uma retomada consistente nos cortes. Se o corte vier com sinalização cautelosa, a reação do mercado tende a ser limitada. Os pós-fixados continuam atrativos, enquanto ativos de maior duração permanecem mais sensíveis ao comunicado. Uma mensagem mais dura pode abrir os juros intermediários e pressionar ações sensíveis à atividade. O principal sinal estará menos no corte e mais no espaço deixado pelo Copom para novas reduções”.
Cassio Viana de Jesus, Diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital:
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