O que o PIB do primeiro trimestre revela sobre a economia brasileira
Construção, agropecuária e consumo sustentaram o avanço da atividade no primeiro trimestre; economistas veem desafio adicional para o Banco Central
5/29/20262 min ler


O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 reforçou a percepção de que a economia brasileira segue mais resistente do que o esperado, mesmo diante de uma taxa Selic ainda em patamar elevado. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 29, mostram uma expansão disseminada entre os principais setores da atividade econômica, com destaque para agropecuária, construção civil e investimentos.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, a agropecuária avançou 2%, a indústria cresceu 1% e os serviços registraram alta de 0,5%. Entre os destaques setoriais apareceram a indústria extrativa, com crescimento de 3,6%, e a construção civil, que avançou 2,9%.
Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 1%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que mede os investimentos na economia, avançou 3,5% no trimestre.
Apesar do resultado positivo, alguns indicadores mostram que a recuperação ainda ocorre de forma gradual. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a taxa de investimento recuou de 17,6% para 16,5% do PIB, enquanto a taxa de poupança passou de 15,8% para 15,5%.
“O resultado do PIB no primeiro trimestre de 2026 é positivo e mostra que a economia brasileira começou o ano com mais força do que terminou 2025. O ponto de atenção é que, na comparação anual, o investimento ainda caiu 1,4%, enquanto a taxa de investimento recuou para 16,5% do PIB, mostrando que a reação ainda não representa normalização plena do ciclo de capital”, afirma André Caruso, CEO da Pilar Capital.
Segundo ele, o avanço de 2,9% da construção civil, a alta de 1,2% das atividades imobiliárias e o crescimento dos investimentos sinalizam melhora da atividade econômica, mas o elevado custo do crédito ainda exige cautela dos investidores.
Construção e consumo ganham destaque
Entre os componentes do PIB, a construção civil apresentou um dos desempenhos mais robustos do trimestre. O setor foi beneficiado por um ambiente de demanda ainda aquecida e pela continuidade de programas habitacionais.
Além disso, o consumo das famílias voltou a acelerar, sustentado pelo mercado de trabalho e pela renda. O avanço do consumo ajudou a compensar os efeitos da política monetária restritiva implementada pelo Banco Central nos últimos meses...
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